Estava no carro. Na estrada. Por um acaso, misturado com o ócio do momento, olhei para o céu. Vi nuvens. Elas estávam estranhas. Me senti debaixo do mar, olhando para a superfície. E de repente, entrei nessa viagem. Estava em movimento, alta velocidade, com muitos metros abaixo do nível do mar. Quase prendi a respiração. No entanto, não queria desvidrar-me delas. Nuvens sedutoras e perigosas. O vento batendo forte em meu cabelo. A velocidade. O fato de que as ondas lá em cima eram brancas e com aspecto de algodão. Nada me tirava daquele transe inédito. Vá lá. O ócio me convencia a não desgrudar os olhos, tudo para não me tirar daquela sensação.Enfim. O carro já estava distante o suficiente para eu não enxergar mais aquela visão hipnotizante. Chego em casa, tudo normal. Sento e vou escrever sobre confiança. Não passou de um rascunho. E eu tenho uma apatia muito grande com rascunhos. Porque, se o texto é um rascunho, significa que eu não consegui escrevê-lo de uma vez. E se eu não consegui escrevê-lo de uma vez, significa que estava difícil para escrever. E sempre que está difícil para escrever, o texto é uma porcaria. Agora vai tudo bem. Contei das nuvens, um acontecimento. Um pequeno notável. E talvez, ao som dessas músicas-ondas que me agradam muito os ouvidos, eu consiga escrever um pouco sobre a confiança. As pessoas. É destas que precisamos e de que temos medo. Até algum dia aí, eu não sentia muito o entendimento e nem a lógica do ato de temer as pessoas. De repente, como ver ondas no céu, me veio o sentimento. Pessoas. Mesmo quem é próximo, mesmo quem tem seu sangue nas veias. Sempre há um momento em que você se vê olhando para a superfície da água. E vê que há muitos e muitos metros entre você e a atmosfera. Pode ser bonito, como eu no carro, mas muito perigoso. Porque geralmente, quando você está olhando para a distante superfície, longe como o horizonte, você está sozinho. E as pessoas que você confia estão longe, longe. Tão longe quanto a superfície. E é a solidão que faz com que você perca a confiança. E pior é quando você se vê sozinho, olhando para a superfície, logo após que alguma pessoa te afundou. E ser afundado não é algo que contribui para você acreditar nas pessoas. Mas agora deixe-me pesar para o outro lado. Como é desesperante, e quase sufocante, como a água que te separa da superfície, você querer conquistar a confiança de uma pessoa. Não é culpa dela, nem sua e nem de ninguém. Não é Maria/ Nem sua mãe/Ou as estrelas;/São os homens e as cidades infinitas. Segunda vez que cito essa música num texto meu; notável. Conquistar a confiança é complicado. É uma virtude, um privilégio. Mas eu não quero ficar pensando e nem metafisicando, que nem a peça de teatro extremamente contemporânea que vi. "Quem sou eu? O que temos diante dos olhos?!" Sinceramente? Estava quase dormindo. Minhas palavras? "Essa peça é muito 'humanas.'"Compreendo e sou completamente a favor da reflexão sobre todos os detalhes de nossa vida. Mas aquilo ali já era sacanagem. O que tirei de bom naquela peça é uma lição que eu vou resumir um pouco agora para finalizar o texto. Damos um passo e pensamos. Damos outro passo e pensamos, e olhamos para trás, olhamos para frente e pensamos. Quanto disso podemos tirar! Uma visão em quatro dimensões, com análise e fatos desenterrados. Mas também é necessário, ás vezes, dançar e cantarolar ao pé do ouvido. E disso não tirar nenhuma conclusão filosófica. Porque é possível sim, haver um ato sem uma avaliação simbólica. E mesmo que discorde, eu digo: Apenas dance, e tire disso todos os sentimentos possíveis. Não analise, sinta. Dance.domingo, 19 de setembro de 2010
Estava eu abaixo do mar.
Estava no carro. Na estrada. Por um acaso, misturado com o ócio do momento, olhei para o céu. Vi nuvens. Elas estávam estranhas. Me senti debaixo do mar, olhando para a superfície. E de repente, entrei nessa viagem. Estava em movimento, alta velocidade, com muitos metros abaixo do nível do mar. Quase prendi a respiração. No entanto, não queria desvidrar-me delas. Nuvens sedutoras e perigosas. O vento batendo forte em meu cabelo. A velocidade. O fato de que as ondas lá em cima eram brancas e com aspecto de algodão. Nada me tirava daquele transe inédito. Vá lá. O ócio me convencia a não desgrudar os olhos, tudo para não me tirar daquela sensação.Enfim. O carro já estava distante o suficiente para eu não enxergar mais aquela visão hipnotizante. Chego em casa, tudo normal. Sento e vou escrever sobre confiança. Não passou de um rascunho. E eu tenho uma apatia muito grande com rascunhos. Porque, se o texto é um rascunho, significa que eu não consegui escrevê-lo de uma vez. E se eu não consegui escrevê-lo de uma vez, significa que estava difícil para escrever. E sempre que está difícil para escrever, o texto é uma porcaria. Agora vai tudo bem. Contei das nuvens, um acontecimento. Um pequeno notável. E talvez, ao som dessas músicas-ondas que me agradam muito os ouvidos, eu consiga escrever um pouco sobre a confiança. As pessoas. É destas que precisamos e de que temos medo. Até algum dia aí, eu não sentia muito o entendimento e nem a lógica do ato de temer as pessoas. De repente, como ver ondas no céu, me veio o sentimento. Pessoas. Mesmo quem é próximo, mesmo quem tem seu sangue nas veias. Sempre há um momento em que você se vê olhando para a superfície da água. E vê que há muitos e muitos metros entre você e a atmosfera. Pode ser bonito, como eu no carro, mas muito perigoso. Porque geralmente, quando você está olhando para a distante superfície, longe como o horizonte, você está sozinho. E as pessoas que você confia estão longe, longe. Tão longe quanto a superfície. E é a solidão que faz com que você perca a confiança. E pior é quando você se vê sozinho, olhando para a superfície, logo após que alguma pessoa te afundou. E ser afundado não é algo que contribui para você acreditar nas pessoas. Mas agora deixe-me pesar para o outro lado. Como é desesperante, e quase sufocante, como a água que te separa da superfície, você querer conquistar a confiança de uma pessoa. Não é culpa dela, nem sua e nem de ninguém. Não é Maria/ Nem sua mãe/Ou as estrelas;/São os homens e as cidades infinitas. Segunda vez que cito essa música num texto meu; notável. Conquistar a confiança é complicado. É uma virtude, um privilégio. Mas eu não quero ficar pensando e nem metafisicando, que nem a peça de teatro extremamente contemporânea que vi. "Quem sou eu? O que temos diante dos olhos?!" Sinceramente? Estava quase dormindo. Minhas palavras? "Essa peça é muito 'humanas.'"Compreendo e sou completamente a favor da reflexão sobre todos os detalhes de nossa vida. Mas aquilo ali já era sacanagem. O que tirei de bom naquela peça é uma lição que eu vou resumir um pouco agora para finalizar o texto. Damos um passo e pensamos. Damos outro passo e pensamos, e olhamos para trás, olhamos para frente e pensamos. Quanto disso podemos tirar! Uma visão em quatro dimensões, com análise e fatos desenterrados. Mas também é necessário, ás vezes, dançar e cantarolar ao pé do ouvido. E disso não tirar nenhuma conclusão filosófica. Porque é possível sim, haver um ato sem uma avaliação simbólica. E mesmo que discorde, eu digo: Apenas dance, e tire disso todos os sentimentos possíveis. Não analise, sinta. Dance.
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