Hoje eu comi um pedaço de carinho. Ele veio em forma de chocolate, com pedaços sólidos de açúcar entre ele. E o ingrediente principal foi a surpresa. Não digo que foi "o melhor chocolate do mundo" porque não quero apresentar aqui ares de romântico, exagerado. Quero ser muito bem medido. E muito bem sincero. Estava atordoado. Minha cabeça não doía, mas agia como tal. Ela pesava. Não fosse minha força de vontade e meu pescoço paciente, ela teria cambaleado para baixo e talvez nem voltasse ao mundo. Meu estômago, não vazio, mas implorando para que o estado de quase vácuo mudasse. De repente meus olhos, humildes janelas de meu ser, puderam ver uma luz tão graciosa que apagou quase que completamente o fato de que o dia estava uma grande merda.Antes que eu comece a falar dessa visão que me salvara o dia, vamos ao dia. Comecei antes do sol. E sou grato, porque logo ao sair de casa, vejo Orion. E me dei conta de que não via Orion fazia muito tempo. Cumprimentei-o saudosamente, conversamos por instantes e então tive que voltar à realidade; esta me chamava. Afastando-me de Orion, continuei a observá-lo. Seu cinturão, sua pose de guerreiro. Muito lindo. Era um agradável que estava longe do meu dia. Chegando aonde tinha de chegar, vi que cheguei muito cedo. Ótimo, poderia ter conversado mais tempo com Orion. Mas então, o dia foi passando e o sol foi tomando conta e torturando quem é obrigado a prestar atenção em assuntos no mínimo indesejáveis. O calor e a fome foram tomando conta de mim. E o desânimo. E o homem entra e começa a falar sobre ecologia. E minha consciência começa a viajar para a dimensão de Orion. Longe da tortura do sol, longe da ecologia. Meu corpo estava implorando. Todos os membros pesavam. Falar era tão trabalhoso que o silêncio foi sagrado. A tortura do saber acabou. Saio da sala e vou buscar alimento para salvar a vida de meu corpo. Chego perto mas não me aproximo. Multidão. O barulho excessivo, pessoas, filas, aglomeração. Apoiar-me numa grade foi sagrado.
Agora chego aonde queria chegar. O mundo exterior estava incomodando-me ao máximo. Quando recebo carinho em forma de chocolate. Não sei se foi com intenção carinhosa. Mas na minha situação, quase que morrendo, aquele chocolate foi a demonstração de carinho que me fez continuar o dia. E não bastasse o carinho que recebi, pude enxergar dois olhos que me agradam. Pronto. Nada está perdido, então. Tudo bem, continuarei de pé. Irei me alimentar, cumprir minhas obrigações, voltarei para casa. Chega de exagero. Você não está morrendo. Para disso. Juntei forças para agradecer. E tentei demonstrar algum carinho em retorno. Obrigado, salvaste meu dia.
Será que confessar um enorme sorriso de alegria seria um elogio à altura? Ou talvez seria contar que os olhos devoraram, maravilhados, cada palavra por duas vezes consecutivas?
ResponderExcluirNão... acho que não haveria um elogio suficientemente bom, pelo simples fato de que, para quem admira ao longe a arte, fazer parte dela é algo surreal, que, se concretizado, vai gerar uma sensação sublime e indescritível. É o tipo de reação que fica no ar, sendo absorvida apenas pela percepção.
Então, agora, gostaria de deixar no ar essa explosão de contentamento juntamente com a felicidade que preenche a quem admira algo de que muito gosta. Sim, este é mais um texto que colocou tons de alegria em um dia preto e branco. E agradeço por ele.
poooxa, poxa! Eu não sei como dizer algo bonito agora. A única coisa que me vem à mente é: E eu agradeço muito pelo chocolate!
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