Estava no carro. Na estrada. Por um acaso, misturado com o ócio do momento, olhei para o céu. Vi nuvens. Elas estávam estranhas. Me senti debaixo do mar, olhando para a superfície. E de repente, entrei nessa viagem. Estava em movimento, alta velocidade, com muitos metros abaixo do nível do mar. Quase prendi a respiração. No entanto, não queria desvidrar-me delas. Nuvens sedutoras e perigosas. O vento batendo forte em meu cabelo. A velocidade. O fato de que as ondas lá em cima eram brancas e com aspecto de algodão. Nada me tirava daquele transe inédito. Vá lá. O ócio me convencia a não desgrudar os olhos, tudo para não me tirar daquela sensação.Enfim. O carro já estava distante o suficiente para eu não enxergar mais aquela visão hipnotizante. Chego em casa, tudo normal. Sento e vou escrever sobre confiança. Não passou de um rascunho. E eu tenho uma apatia muito grande com rascunhos. Porque, se o texto é um rascunho, significa que eu não consegui escrevê-lo de uma vez. E se eu não consegui escrevê-lo de uma vez, significa que estava difícil para escrever. E sempre que está difícil para escrever, o texto é uma porcaria. Agora vai tudo bem. Contei das nuvens, um acontecimento. Um pequeno notável. E talvez, ao som dessas músicas-ondas que me agradam muito os ouvidos, eu consiga escrever um pouco sobre a confiança. As pessoas. É destas que precisamos e de que temos medo. Até algum dia aí, eu não sentia muito o entendimento e nem a lógica do ato de temer as pessoas. De repente, como ver ondas no céu, me veio o sentimento. Pessoas. Mesmo quem é próximo, mesmo quem tem seu sangue nas veias. Sempre há um momento em que você se vê olhando para a superfície da água. E vê que há muitos e muitos metros entre você e a atmosfera. Pode ser bonito, como eu no carro, mas muito perigoso. Porque geralmente, quando você está olhando para a distante superfície, longe como o horizonte, você está sozinho. E as pessoas que você confia estão longe, longe. Tão longe quanto a superfície. E é a solidão que faz com que você perca a confiança. E pior é quando você se vê sozinho, olhando para a superfície, logo após que alguma pessoa te afundou. E ser afundado não é algo que contribui para você acreditar nas pessoas. Mas agora deixe-me pesar para o outro lado. Como é desesperante, e quase sufocante, como a água que te separa da superfície, você querer conquistar a confiança de uma pessoa. Não é culpa dela, nem sua e nem de ninguém. Não é Maria/ Nem sua mãe/Ou as estrelas;/São os homens e as cidades infinitas. Segunda vez que cito essa música num texto meu; notável. Conquistar a confiança é complicado. É uma virtude, um privilégio. Mas eu não quero ficar pensando e nem metafisicando, que nem a peça de teatro extremamente contemporânea que vi. "Quem sou eu? O que temos diante dos olhos?!" Sinceramente? Estava quase dormindo. Minhas palavras? "Essa peça é muito 'humanas.'"Compreendo e sou completamente a favor da reflexão sobre todos os detalhes de nossa vida. Mas aquilo ali já era sacanagem. O que tirei de bom naquela peça é uma lição que eu vou resumir um pouco agora para finalizar o texto. Damos um passo e pensamos. Damos outro passo e pensamos, e olhamos para trás, olhamos para frente e pensamos. Quanto disso podemos tirar! Uma visão em quatro dimensões, com análise e fatos desenterrados. Mas também é necessário, ás vezes, dançar e cantarolar ao pé do ouvido. E disso não tirar nenhuma conclusão filosófica. Porque é possível sim, haver um ato sem uma avaliação simbólica. E mesmo que discorde, eu digo: Apenas dance, e tire disso todos os sentimentos possíveis. Não analise, sinta. Dance.domingo, 19 de setembro de 2010
Estava eu abaixo do mar.
Estava no carro. Na estrada. Por um acaso, misturado com o ócio do momento, olhei para o céu. Vi nuvens. Elas estávam estranhas. Me senti debaixo do mar, olhando para a superfície. E de repente, entrei nessa viagem. Estava em movimento, alta velocidade, com muitos metros abaixo do nível do mar. Quase prendi a respiração. No entanto, não queria desvidrar-me delas. Nuvens sedutoras e perigosas. O vento batendo forte em meu cabelo. A velocidade. O fato de que as ondas lá em cima eram brancas e com aspecto de algodão. Nada me tirava daquele transe inédito. Vá lá. O ócio me convencia a não desgrudar os olhos, tudo para não me tirar daquela sensação.Enfim. O carro já estava distante o suficiente para eu não enxergar mais aquela visão hipnotizante. Chego em casa, tudo normal. Sento e vou escrever sobre confiança. Não passou de um rascunho. E eu tenho uma apatia muito grande com rascunhos. Porque, se o texto é um rascunho, significa que eu não consegui escrevê-lo de uma vez. E se eu não consegui escrevê-lo de uma vez, significa que estava difícil para escrever. E sempre que está difícil para escrever, o texto é uma porcaria. Agora vai tudo bem. Contei das nuvens, um acontecimento. Um pequeno notável. E talvez, ao som dessas músicas-ondas que me agradam muito os ouvidos, eu consiga escrever um pouco sobre a confiança. As pessoas. É destas que precisamos e de que temos medo. Até algum dia aí, eu não sentia muito o entendimento e nem a lógica do ato de temer as pessoas. De repente, como ver ondas no céu, me veio o sentimento. Pessoas. Mesmo quem é próximo, mesmo quem tem seu sangue nas veias. Sempre há um momento em que você se vê olhando para a superfície da água. E vê que há muitos e muitos metros entre você e a atmosfera. Pode ser bonito, como eu no carro, mas muito perigoso. Porque geralmente, quando você está olhando para a distante superfície, longe como o horizonte, você está sozinho. E as pessoas que você confia estão longe, longe. Tão longe quanto a superfície. E é a solidão que faz com que você perca a confiança. E pior é quando você se vê sozinho, olhando para a superfície, logo após que alguma pessoa te afundou. E ser afundado não é algo que contribui para você acreditar nas pessoas. Mas agora deixe-me pesar para o outro lado. Como é desesperante, e quase sufocante, como a água que te separa da superfície, você querer conquistar a confiança de uma pessoa. Não é culpa dela, nem sua e nem de ninguém. Não é Maria/ Nem sua mãe/Ou as estrelas;/São os homens e as cidades infinitas. Segunda vez que cito essa música num texto meu; notável. Conquistar a confiança é complicado. É uma virtude, um privilégio. Mas eu não quero ficar pensando e nem metafisicando, que nem a peça de teatro extremamente contemporânea que vi. "Quem sou eu? O que temos diante dos olhos?!" Sinceramente? Estava quase dormindo. Minhas palavras? "Essa peça é muito 'humanas.'"Compreendo e sou completamente a favor da reflexão sobre todos os detalhes de nossa vida. Mas aquilo ali já era sacanagem. O que tirei de bom naquela peça é uma lição que eu vou resumir um pouco agora para finalizar o texto. Damos um passo e pensamos. Damos outro passo e pensamos, e olhamos para trás, olhamos para frente e pensamos. Quanto disso podemos tirar! Uma visão em quatro dimensões, com análise e fatos desenterrados. Mas também é necessário, ás vezes, dançar e cantarolar ao pé do ouvido. E disso não tirar nenhuma conclusão filosófica. Porque é possível sim, haver um ato sem uma avaliação simbólica. E mesmo que discorde, eu digo: Apenas dance, e tire disso todos os sentimentos possíveis. Não analise, sinta. Dance.segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Segunda-feira sem verbos.
E intenção da escrita de hoje: sem verbos. Início da segunda feira: manhã bonita. O sol lá fora, forte e tímido; dia quente. Escola. Tudo normal, mesmas aulas, nada de novo. E no meio, uma notícia com muita felicidade em sua constância. Felicidade em meu peito. Um dia desses; pecado. Eu e você. Sol lindo e céu e nuvens e azul bebê. Tudo para nós. E uma separação contra o desejo , porém, justa para você. Sono? Então, já para a cama! Minha felicidade, a mesma. Luz. Difícil contraste nesse dia. E a prova de história. E o metrô. E o sol ainda lá, quente e o céu ainda lá azul bebê. Uma chamada aleatória. Meu caminho para lá, agora. Estação diferente. E logo meus amigos. Meus bons e velhos amigos. De repente...a noite! A luz branca no fundo do sol, e mais acima a Lua...que sorriso lindo! Alguém...meu caminho, agora o de antes, contorno da simples aleatoriedade. Meu telefone afinal de contas, para mim, para alguém. E com a graça da tecnologia, a Lua, a estrela. O sorriso da lua, Vênus bem abaixo. A menina, um sorriso? Meu coração cheio de luz com meu convite irrecusável. Sorriso interno. Meu desejo? Um beijo. Um beijo e apenas um. Uma flor equivalente à um beijo. Minha mão em seu cabelo. Cabelos ao vento. Sem um penteado e bonitos. Um sorriso. Um beijo. Sem fim! Mas...a despedida. Pecado, num dia como esse. Minha memória, solta, como uma imagem. A Lua no céu azul bebê. Cedo. Admirável Lua. Euforia pouco antes de agora. Vontade de besteira, bobagem, a vida linda. Mil, mol vezes vencedor do dia. E o convite irrecusável? Ah, sim. Este segredo para a lua. Para a menina. Sorriso? Mol vezes vencedor do dia. Um beijo? Um poeta com rima. Um menino vencedor, poeta. De um menino para poeta. Tudo isso só com um beijo. Lembrete necessário; a menina. Seu rosto, sua beleza incrível! A luz novamente! Vontade de besteira, bobagem, a vida linda. Por favor, seu convite, seu convite apenas. Agradecimentos, à Lua por favor. À menina anjo pequeno de bochechas cheias. Muito explícito? Somente dois dedinhos. E também, ao sentimento, a palavra. Às preocupações, seus devidos lugares. Fora daqui! Este espaço, meu? Pois bem, meu e meus sentimentos. Eu e minhas palavras amigas. Inimigas. Traiçoeiras. Olhos de ressaca, pois bem. Dissimuladas e ciganas. Sem elas, eu não inteiro à vida. Quem sabiamente, com teoria e lógica, com o pensamento à palavra. Oralmente e com ousadia ao pensamento para a mim, contrari edade.A dedução de que o dia de ontem para mim, às palavras? Sim, o dia de ontem, Domingo. Porém, Domingo com domingo. Domingo após domingo. E nada. E nada de palavras. Dia tão nada, que nada de palavras. Irônico? Irônico, adjetivo ao pensamento de negação à ideia de que a Lua com seu sorriso, calças e cu com a conquista referente à notícia do início do dia em contraste com o tédio do dia, com a luz infinita e forte e quente e inevitável. Irônico? Coincidência? Ora menina, ao convite irrecusável, sorriso. Um beijo sim. Uma rima. Um menino. Uma menina. Um poeta. E mais um beijo. O ônibus! Um beijo rápido. E no fim, um telefonema para a confirmação da vida.sábado, 11 de setembro de 2010
Cultura e Civilização.
Um céu bonito. Um céu com estrelas infinitas que refletem nos olhos, atravessando o corpo com suas luzes celestes até alcançar a alma, apaziguando toda minha inquietude e pressa. A luz das estrelas me banha e me tira a consciência do tempo. Me tira tudo que poderia me deixar apressado e preocupado com o tempo. Porque o tempo não anda junto com as quietude das estrelas? Parece que ele sempre anda com o brilho de uma luz forte, do sol. O tempo corre na velocidade da luz. É noite. As luzes no céu não aparecem muito. Sabe, moro numa cidade poluída. Ela me obriga a poder ver somente as luzes dos carros, dos prédios, das propagandas. Ela me obriga a vidrar meus olhos. Mas eu sou insistente. Demora, mas eu procuro Orion até encontrá-lo. Ele também tem uma vida cheia, não pode ficar pousando o tempo todo. Olha Vênus. Esta vive para pousar. Fica sempre azuladamente brilhando. Ela e a Lua têm uma relação oscilante. Melhor definindo: elas valsam. Ora estão próximas, ora estão distantes. Uma relação de tapas e beijos. Onde, por vezes, a Lua está cheia e cheia de amores, com Vênus logo ao seu lado. E os dois namoram para todos verem. Mas, logo brigam e a Lua fica murcha (muitas vezes nova) e Vênus fica longe, embirrada. Mas isso é apenas uma visão humana. Uma visão exata certamente daria explicações de fenômenos e não haveria muito o que discutir sobre metáforas e símbolos. A vida é uma arte, não é mesmo? Mas eu me refiro à arte de criança arteira. Daquelas que dão susto, bagunçam a casa, fazem gritaria. E nós somos os pais, os adultos chatos. A vida fica correndo no quintal, feliz da vida. Cabelos ao vento, uma roda ao lado girando, controlada pela vida criança. O sol quente, escaldante. Revela-se na pele da criança. Suada, com as canelas finas à mostra, em alta velocidade. E sempre vem o adulto dizendo para parar de correr, porque senão ela se machuca. E não é que ela se machucou mesmo? Sei que se ninguém tivesse falado nada, ela ainda estaria correndo. A gente sempre coloca urucubaca na nossa vida e sempre acontece merda. Devíamos nos sujeitar mais a nossa vida. Devíamos rir da vida depois daquele escorregão. Devíamos tirar mais fotos da nossa vida correndo. Uma imagem tão bonita! Em um dia lindo, ela correndo feliz! Mas sempre estamos lá para dizer que não é certo, que é melhor ficar parado, estático, chato. A cultura e a civilização/elas que se danem/ou não/contanto que deixem meu cabelo belo/como a juba de um leão. Contanto que deixem meu cabelo como a juba de um leão, me sujeito a viver proseando por aí contando minhas histórias.quinta-feira, 9 de setembro de 2010
When I'm 64.
Quando eu ficar velho quero ficar assim. Se eu tiver a sorte de ficar velho, quero ficar assim. Viver a vida como se estivesse correndo guiando uma roda ao meu lado. Com o mato alto, o sol no fundo, me olhando. O corpo suando, vivo. Cabelo ao vento, sorriso estampado, canelas finas em alta velocidade. E agora de repente, tão mais que de repente, estou numa fila do banco, indo pagar uma conta que diz respeito ao meu futuro. Ao futuro não me interessa; não tomo conta deste, somente do presente. Talvez sejam as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no meu coração. Não posso enquadradar minha cabeça. Isso não pode acontecer. Simplesmente não pode. Entupir a agenda, fazer das responsabilidades um traço adulto que me faça crer em valores quadrados. Quero sempre amadurecer, crescer, evoluir. Tenho meu sonho bem guardado na gaveta; o da evolução. Quero arcar com responsabilidades e entrar na vida adulta, mas sem me tornar um. Minha mente, espero, continua aqui. Híbrida. O poeta está dormindo, enquanto eu cheio de obrigações escrevo em meu viver. O poeta não faz nada. Só dorme, canta, dança. Escreve poesias baratas, e fica admirando as pequenas coisas da vida. Se bem que agora, não sou mais eu pessimista. Agora sou eu neutro. Eu poeta sonha, olha para o céu e vê poemas infinitos. Eu olho para o céu e sinto sono. Poeta tem vida boa. Pode tornar qualquer dia especial, simplesmente porque ele tem vontade. Pode oferecer sorvete com o tempero que todos esquecem: a liberdade. Que graça tem escolher um sorvete pensando no quanto ele vale? Muito errado envolver sorvete com dinheiro. Eu poeta é esperto. Dá pitadas de liberdade e anarquia monetária em cima do sorvete. E envolve-o com o dia especial. Eu poeta sei que não se tornará adulto. E é isso que me reconforta. Se ele sair daqui, eu estarei vendido. Tão barato que eu nem acredito. Quero ser maduro para ser colheito. Não quero ser adulto que é fruta feia e ninguém escolhe. Quero viver a vida adulta como deve-se-à viver: de um jeito não adulto. Quero ficar velho e ter o meu violão ao meu lado sempre. Sentar na frente de casa, e gritar alguns versos que não valem uma rima miserável. Tocar violão e só. Gritar os versos e só. Gritar minhas histórias. O carinho pelas minhas histórias não poderia ser maior. Agora eu me vou. Dê boa noite ao Eu Poeta. Ele às vezes não ouve, mas não leve a mal.quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Poemas velhos que achei na gaveta - Parte V
O menino anda
pelo mundo
que se limita
ao seu quintal.
Nos jardins
grandes guerras
e no céu
o espaço sideral.
pelo mundo
que se limita
ao seu quintal.
Nos jardins
grandes guerras
e no céu
o espaço sideral.
Poemas velhos que achei na gaveta - Parte IV
Para Manuel Bandeira
Teu pedaço que me vinha
de mão de de amor,
de repente não mais vinha,
me causando muita dor.
Teu olhar que me sorria
nunca mais brilhoum
teu carinho que fazia
era bom e se cessou.
A palavra que convinha
vinha a mente viajar
aquela minha menininha
cresceu e longe foi cantar.
Um lápis de madeira
foi o que me sobrou
pra fazer a brincadeira
da ciranda que acabou.
Teu pedaço que me vinha
de mão de de amor,
de repente não mais vinha,
me causando muita dor.
Teu olhar que me sorria
nunca mais brilhoum
teu carinho que fazia
era bom e se cessou.
A palavra que convinha
vinha a mente viajar
aquela minha menininha
cresceu e longe foi cantar.
Um lápis de madeira
foi o que me sobrou
pra fazer a brincadeira
da ciranda que acabou.
Poemas velhos que achei na gaveta - Parte III
Estava procurando algum dinheiro.
Quando achei um poema na gaveta.
De certo mudei 14 palavras
erradas, sem razão ou métrica.
Poema velho, poema de criança.
Como se pode permitir tal asneira?
Criança não pode brincar com palavra.
Não sabe de nada, não pode escrever.
Alguém tão jovem que não conhece niilismo...
tem com absoluta certeza minha completa admiração.
Somente queria eu poder escrever novamente
outro poema como este velho de criança.
Queria eu poder simplesmente
uma infância sem gavetas e pensar consciente
Quando achei um poema na gaveta.
De certo mudei 14 palavras
erradas, sem razão ou métrica.
Poema velho, poema de criança.
Como se pode permitir tal asneira?
Criança não pode brincar com palavra.
Não sabe de nada, não pode escrever.
Alguém tão jovem que não conhece niilismo...
tem com absoluta certeza minha completa admiração.
Somente queria eu poder escrever novamente
outro poema como este velho de criança.
Queria eu poder simplesmente
uma infância sem gavetas e pensar consciente
Poemas velhos que achei na gaveta - Parte II
O vento continua a andar
pela grama entre os insetos.
Notícias para soprar.
Para os que ouvem, para os cegos.
O vento continua sempre a soprar.
Escondendo-se à sombra de uma árvore
onde dorme, no silêncio se acalmar.
Melhor assim, longe do luxo de mármore.
O vento continua a cantar.
Encantando as moças à janela.
Dando poesia aos homens do mar
descobrindo o mundo em sua caravela.
O vento continua a vir do horizonte.
Da linha que separa o grande mar do céu.
Que ao olhá-la não sabe o quando e o onde.
Até a noite varrer o firmamento com seu negro véu.
pela grama entre os insetos.
Notícias para soprar.
Para os que ouvem, para os cegos.
O vento continua sempre a soprar.
Escondendo-se à sombra de uma árvore
onde dorme, no silêncio se acalmar.
Melhor assim, longe do luxo de mármore.
O vento continua a cantar.
Encantando as moças à janela.
Dando poesia aos homens do mar
descobrindo o mundo em sua caravela.
O vento continua a vir do horizonte.
Da linha que separa o grande mar do céu.
Que ao olhá-la não sabe o quando e o onde.
Até a noite varrer o firmamento com seu negro véu.
Poemas velhos que achei na gaveta - Parte I
Não interprete mal
como tristeza ou peso
só quero retratar
o impacto e reviravolta.
Estava o meu amor no meio do caminho
e no caminho sucessor estava a felicidade.
Que infla o peito e me dá saudade.
Que paradoxo esse cruzamento!
Com meu amor no caminho
veio a saudade, a dor da paixão.
A nostalgia que não pode ser alcançada.
A nostalgia do agora.
O sofrimento de perceber
que o momento atemporal
e único, e forte, e fundo
e então, e incompleto, e ofegante
e sensível, que incomoda, não para de incomodar.
Mas não se esqueça que é o incômodo do bom.
Aquele incômodo gostoso, que suaviza.
É a dificuldade que impulsiona.
como tristeza ou peso
só quero retratar
o impacto e reviravolta.
Estava o meu amor no meio do caminho
e no caminho sucessor estava a felicidade.
Que infla o peito e me dá saudade.
Que paradoxo esse cruzamento!
Com meu amor no caminho
veio a saudade, a dor da paixão.
A nostalgia que não pode ser alcançada.
A nostalgia do agora.
O sofrimento de perceber
que o momento atemporal
e único, e forte, e fundo
e então, e incompleto, e ofegante
e sensível, que incomoda, não para de incomodar.
Mas não se esqueça que é o incômodo do bom.
Aquele incômodo gostoso, que suaviza.
É a dificuldade que impulsiona.
Tá Horrível.
Não se sabe o que acontece.
A menina triste não sorri.
Ergue os lábios como quem parece
gostar muito de estar ali.
Mas, ao outro o disfarce não vence.
Dói nele achar que ela não ri.
Deseja que ela soubesse
como é bom à toa sorrir.
No alto da colina, o riso alvorece.
Sem graça, achando a maior graça para rir.
Se a boca inteira o riso invadisse
não mais seria a menina assim.
Sabe-se que logo o sorriso aparece.
Basta uma graça ou um poema em nanquim.
E então nada a menina apetece
para sorrir, viver e ser feliz.
A menina triste não sorri.
Ergue os lábios como quem parece
gostar muito de estar ali.
Mas, ao outro o disfarce não vence.
Dói nele achar que ela não ri.
Deseja que ela soubesse
como é bom à toa sorrir.
No alto da colina, o riso alvorece.
Sem graça, achando a maior graça para rir.
Se a boca inteira o riso invadisse
não mais seria a menina assim.
Sabe-se que logo o sorriso aparece.
Basta uma graça ou um poema em nanquim.
E então nada a menina apetece
para sorrir, viver e ser feliz.
Soneto do Louco.

Otorrinolaringologista
Paralelepípedo estranho
Não quero ir ao dentista.
E nem falar como um fanho.
Com o meu problema, só especialista.
Para disgnosticar-me enfadonho.
Fui parar até em capa de revista.
Vou esconder-me longe na montanha.
Vestir um chapéu estranho na cabeça,
assumir de vez minha loucura.
Não me deixe ir antes que me esqueça
Desta cidade horrível e escura.
Com essa gente normal e espessa
que não é feliz para ser pura.
Paralelepípedo estranho
Não quero ir ao dentista.
E nem falar como um fanho.
Com o meu problema, só especialista.
Para disgnosticar-me enfadonho.
Fui parar até em capa de revista.
Vou esconder-me longe na montanha.
Vestir um chapéu estranho na cabeça,
assumir de vez minha loucura.
Não me deixe ir antes que me esqueça
Desta cidade horrível e escura.
Com essa gente normal e espessa
que não é feliz para ser pura.
Para ser distribuído na rua ou dado para quem gostou mesmo.

Vim trazer-te esta flor.
Que eu nem roubei, nem comprei;
A fiz com minhas pobres palavras
que não valem nem uma rima.
Por isso é flor singela.
Mas, se aceitas meu presente,
talvez vejas beleza nela.
Não por serem muitas flores.
Nem por serem apaixonadas.
Mas por ser uma flor única,
simples e que talvez consiga
valer um beijo em teu rosto.
Então recebe-a tal como ela é.
Recebe-a como um beijo.
Seguido de algum carinho.
E por fim um sorriso.
Que eu nem roubei, nem comprei;
A fiz com minhas pobres palavras
que não valem nem uma rima.
Por isso é flor singela.
Mas, se aceitas meu presente,
talvez vejas beleza nela.
Não por serem muitas flores.
Nem por serem apaixonadas.
Mas por ser uma flor única,
simples e que talvez consiga
valer um beijo em teu rosto.
Então recebe-a tal como ela é.
Recebe-a como um beijo.
Seguido de algum carinho.
E por fim um sorriso.
Falta ferro ao ferreiro.
Sou um poeta analfabeto,
otorrinolaringologista.
Faço poemas sem afeto
sem amor, sem ser analista.
Não quero ser cronista,
Escrever em prosa? Não me apego.
Não danço; não é meu lar a pista.
E adentrar o mundo das palavras, não me atrevo.
Mal decorei o alfabeto,
quanto mais as palavras à prima vista.
Não sei ler nem Monteiro Lobeto
Que escrevia para criança noviça.
Quando eu aprender a ser poetista,
de certo abandonarei meu emprego;
otorrinolaringologista
e escreverei para parnasianos e leigos.
otorrinolaringologista.
Faço poemas sem afeto
sem amor, sem ser analista.
Não quero ser cronista,
Escrever em prosa? Não me apego.
Não danço; não é meu lar a pista.
E adentrar o mundo das palavras, não me atrevo.
Mal decorei o alfabeto,
quanto mais as palavras à prima vista.
Não sei ler nem Monteiro Lobeto
Que escrevia para criança noviça.
Quando eu aprender a ser poetista,
de certo abandonarei meu emprego;
otorrinolaringologista
e escreverei para parnasianos e leigos.
domingo, 5 de setembro de 2010
Não sei.
Este post não é para ninguém entender. Não é para fazer sentido. Não é para eu expressar nenhum sentimento. Não é para contar uma história. Não sei. Meus dedos tomarão conta das teclas e é isso.Sabe? Quando seu peito enche? E aquele medo gigantesco de dizer alguma coisa muito séria, que pode deixar quem ouve com medo? Vivemos em tempos perigosos. Onde dizer a palavra "amor" pode assustar muito. Por ser banalizada, essa declaração tornou-se algo raro e delicado. Concordo. Não estou amando, mas a banalização da felicidade as vezes me tenta a usá-la. Mas não é a palvra certa. Não quero usá-la. Quero viver o agora. Carpem diem et locus amuenos. É isso. No escuro, uma música esquecida, é escutada mas não ouvida. Enquanto dois corpos se orbitam. E ondulam em seu ondular, numa frequência tranquila, ao som de algum som branco. E é isso. E do nada, a luz acende, fica doido para sair dizendo besteira. Vontade de abraçar o mundo. Vontade de sair por aí e dizer que a vida é linda e bela. Mas na verdade ela não é. Porque não há nada mais abominável nessa vida do que as pessoas. E não há nada mais necessário nessa vida do que as pessoas. O homem não é uma ilha. Olhar as estrelas nada mais é do que olhar para o espelho admirável e tranquilo que você gostaria de morar. Tranquilidade é o que queremos. Só que sempre há o tempo, que corre e corre. E se ele correr demais, não passará mais ônibus. Se enrolar quente com um corpo celeste azul e bonito. E passar a mão nos cabelos. E beijar o rosto. E com as pupilas dilatadas, captar um resquício de olhos escuros te encarando. E se sentir vergonha, não se assuste, não se acanhe. Está escuro, ninguém verá que você está vermelho de vergonha. Pegue o violão. Para essas ocasiões, é preciso um violão. Toque aquela, do Vinicius. Isso, Chico. Tá, chega. Estamos todos cheios de comida, vamos nos deitar e olhar para o teto. Olhe a estrela cadente. Faça um desejo. Não pode contar o desejo, senão ele não se concretiza. Não, não pode falar. E se eu pedir para que esse momento nunca acabe? Se eu contar, ele acaba? Olha aí, 11 horas. Vai, levanta, com mais alguma delonga, o ônibus não passa mais. Sua casa é longe. Longe não existe. Existe a preguiça. Existe a disposição. Existe a vontade. Existe o cartão com créditos para pagar o ônibus. Longe é um conceito relativo. Digo longe falando como um cara normal. Tá bem, é longe. Mas conversando atentamente, longe é relativo. Para de falar besteira, homem. Tudo o que falas é besteira. Agora, trata de tirar esse fedor de clorofila de teu texto. Mas a planta é tão essencial para minha alimentação! Come carne, homem de Deus! Para disso de ser um bicho! Isso é coisa de saudoso dessa geração feita de massinha de modelar. Essa geração, já dizia um amigo meu, tá toda fodida. Esperança é para os tolos. Ouve teu Jimi Hendrix em paz na tua casa, mas não espera outro. Prego a não-revolução, a evolução. Tenho um sonho bem característico de um filho da geração saudosa feita de massinha de modelar. O sonho Hippirata. Mas deixo esse sonho dentro da gaveta, para olhar ora aqui, ora acolá para ninar um pouco e achar bonito. Quero a evolução, pacífica, serena. Acordem, filhos da terra! Tomem uma atitude, desliguem a televisão, vão formar alguma opinião sobre algo. Não concordem comigo! Discordem, discutam, argumentem! Cala-te, revolucionário. Não sou revolucionário, sou evolucionário! Mas essa palavra nem tem no dicionário! Não me importa. Tenho vergonha por ser quem sou hoje. Esse não-careta, que se mostra do jeito que é, do jeito que faz, o que faz. Eu não era assim, cara pálida. Acredita em mim. Hoje senti vergonha desse meu jeito agitado, com vontade de quebrar guitarras, fazer som barulhento e com ritmo marcado. De me expressar e me identificar muito com o Sr. Michael Balzary. Dizem que ele é louco. Mas eu acho tão bonito o jeito espontâneo e aleatório. Eu sou assim. E hoje eu me importei de parecer louco. Mas eu acho bonito e continuarei. Resistirei à tentação quadrada. Sairei pelado, conversando com as estrelas. Sairei e deitarei na calçada e rirei das pessoas andando de ponta cabeça, fazendo as pessoas acharem que sou o maior drogado do mundo. Mas eu tenho orgulho de dizer que a minha droga é o aleatório. É o espontâneo, o bonito. O meu bonito que é estranho aos olhos alheios. É sentar no balcão e conversar sobre qualquer coisa. Contar minhas histórias. Gosto de minhas histórias. Guardo-as junto do sonho Hippirata, na gaveta. Nino-as também, e acho bonitas. Passou a vergonha. Gosto do meu jeito de ser. E agora eu vou, por mais que queira escrever aqui durante a noite toda. O sono, a cama, o tempo me chamam. Boa noite, dorme com os anjos. Dar um beijo de boa noite na sua mãe. Verso bonito. Clorofila? Onde está meu amigo Orion?
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Carinho.
Hoje eu comi um pedaço de carinho. Ele veio em forma de chocolate, com pedaços sólidos de açúcar entre ele. E o ingrediente principal foi a surpresa. Não digo que foi "o melhor chocolate do mundo" porque não quero apresentar aqui ares de romântico, exagerado. Quero ser muito bem medido. E muito bem sincero. Estava atordoado. Minha cabeça não doía, mas agia como tal. Ela pesava. Não fosse minha força de vontade e meu pescoço paciente, ela teria cambaleado para baixo e talvez nem voltasse ao mundo. Meu estômago, não vazio, mas implorando para que o estado de quase vácuo mudasse. De repente meus olhos, humildes janelas de meu ser, puderam ver uma luz tão graciosa que apagou quase que completamente o fato de que o dia estava uma grande merda.Antes que eu comece a falar dessa visão que me salvara o dia, vamos ao dia. Comecei antes do sol. E sou grato, porque logo ao sair de casa, vejo Orion. E me dei conta de que não via Orion fazia muito tempo. Cumprimentei-o saudosamente, conversamos por instantes e então tive que voltar à realidade; esta me chamava. Afastando-me de Orion, continuei a observá-lo. Seu cinturão, sua pose de guerreiro. Muito lindo. Era um agradável que estava longe do meu dia. Chegando aonde tinha de chegar, vi que cheguei muito cedo. Ótimo, poderia ter conversado mais tempo com Orion. Mas então, o dia foi passando e o sol foi tomando conta e torturando quem é obrigado a prestar atenção em assuntos no mínimo indesejáveis. O calor e a fome foram tomando conta de mim. E o desânimo. E o homem entra e começa a falar sobre ecologia. E minha consciência começa a viajar para a dimensão de Orion. Longe da tortura do sol, longe da ecologia. Meu corpo estava implorando. Todos os membros pesavam. Falar era tão trabalhoso que o silêncio foi sagrado. A tortura do saber acabou. Saio da sala e vou buscar alimento para salvar a vida de meu corpo. Chego perto mas não me aproximo. Multidão. O barulho excessivo, pessoas, filas, aglomeração. Apoiar-me numa grade foi sagrado.
Agora chego aonde queria chegar. O mundo exterior estava incomodando-me ao máximo. Quando recebo carinho em forma de chocolate. Não sei se foi com intenção carinhosa. Mas na minha situação, quase que morrendo, aquele chocolate foi a demonstração de carinho que me fez continuar o dia. E não bastasse o carinho que recebi, pude enxergar dois olhos que me agradam. Pronto. Nada está perdido, então. Tudo bem, continuarei de pé. Irei me alimentar, cumprir minhas obrigações, voltarei para casa. Chega de exagero. Você não está morrendo. Para disso. Juntei forças para agradecer. E tentei demonstrar algum carinho em retorno. Obrigado, salvaste meu dia.
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