Leve desespero. Não consigo respirar. Meus pulmões estão tendo um ataque. Peço em silencio para que me levem ao hospital. No carro, a minha respiração difícil e zumbida tomava conta do ar. Chegando lá, a burocracia brasileira explícita. Números, documentos, endereço, mostarda preferida, nome do papagaio do bisavô, tamanho do dedinho do pé esquerdo. Eu poderia estar com o meu cérebro para fora, mas nada poderia me colocar numa sala de emergência sem eu dizer nada sobre minha mostarda favorita. "OK! É HEINZ!" Tudo certo, coloque-no na maca. Depois de medirem minha pressão, taxa de oxigênio no sangue, batimentos cardíacos, fiquei em outra sala de espera. Era a sala de espera intermediária. Se você estava ali, significa que você passou pela burocracia brasileira, ganhou uma pulseirinha com algumas informações suas, já mediram sua pressão, taxa de oxigênio e batimentos por minuto. Eu passei por essa examinação superficial respirando com dificuldade. Então a mulher simplesmente fazia o que tinha que fazer, e eu continuava a respirar com dificuldade. Talvez essa frase não tenha feito muito sentido, mas, tente imaginar uma enfermeira medindo sua pressão e observando uma tela e anotando enquanto você respira com bastante dificuldade. Ah, agora sim pareceu estranho, né? Enfim. Voltemos à sala intermediária de espera. Você está lá, entre a etapa de ser examinado e ser atendido. Tinham poucas pessoas. Um homem dormindo com um jornal recostado sobre ele, duas mulheres com os olhos esbugalhados que tinham a expressão de quem não dormiam fazia anos, e eu. Todos, repito, TODOS os cômodos do hospital tinham uma televisão, onde passava um filme trash de ação. Fiquei surpreso quando fui atendido e não havia a bendita da televisão. O médico anotava e me perguntava coisas, rápido, sem olhar para mim. Pegou seu instrumento mais emblemático, ouviu meus pulmões pedindo por um sopro de vida e voltou à mesa, e fez mais anotações. Mandou eu fazer inalação e tomar uma injeção. "Injeção pra quê?!", foi a minha reação. Mas, me senti o drogado mais drogado do mundo. A infermeria chegou, prendeu a borracha no meu braço, e começou a examinar o meio do meu braço enquanto eu abria e fechava a mão. Achou. A veia saltava timidamente. Ela passou alcool, cuidadosamente, e colocou uma agulha-tubo presa com fitas adesivas. Pegou as duas seringas contendo as drogas. Eram líquidos incolores. Eram seringas grossas, com quantidades julgadas por mim, grandes. A enfermeira ficou preocupada, porque não tinha certeza se a veia repulsava o sangue. E eu olhava o meu braço com um canal direto para a veia, esperando o líquido. Depois de uns últimos acertos, veio a seringa. E meus olhos olhavam para aquilo com o maior susto possível. Ela estava colocando a droga dentro de mim. E eu comecei a sentir o líquido no meu braço. Eu estava cansado, porque todos os músculos do meu corpo estávam contraídos. Bizarro. Fui injetado. Horas depois, após inalações e um filme brega sobre uma transexual que não tinha coragem de assumir-se para o filho, voltei para casa. Relembrando os momentos bizarros em que a enfermeira me dera um pico. Chegando em casa, engoli uma massa italiana cilíndrica cujo interior consistia de presunto e queijo, cujo nome eu não sei escrever.segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Tudo foi contra o status quo.
Leve desespero. Não consigo respirar. Meus pulmões estão tendo um ataque. Peço em silencio para que me levem ao hospital. No carro, a minha respiração difícil e zumbida tomava conta do ar. Chegando lá, a burocracia brasileira explícita. Números, documentos, endereço, mostarda preferida, nome do papagaio do bisavô, tamanho do dedinho do pé esquerdo. Eu poderia estar com o meu cérebro para fora, mas nada poderia me colocar numa sala de emergência sem eu dizer nada sobre minha mostarda favorita. "OK! É HEINZ!" Tudo certo, coloque-no na maca. Depois de medirem minha pressão, taxa de oxigênio no sangue, batimentos cardíacos, fiquei em outra sala de espera. Era a sala de espera intermediária. Se você estava ali, significa que você passou pela burocracia brasileira, ganhou uma pulseirinha com algumas informações suas, já mediram sua pressão, taxa de oxigênio e batimentos por minuto. Eu passei por essa examinação superficial respirando com dificuldade. Então a mulher simplesmente fazia o que tinha que fazer, e eu continuava a respirar com dificuldade. Talvez essa frase não tenha feito muito sentido, mas, tente imaginar uma enfermeira medindo sua pressão e observando uma tela e anotando enquanto você respira com bastante dificuldade. Ah, agora sim pareceu estranho, né? Enfim. Voltemos à sala intermediária de espera. Você está lá, entre a etapa de ser examinado e ser atendido. Tinham poucas pessoas. Um homem dormindo com um jornal recostado sobre ele, duas mulheres com os olhos esbugalhados que tinham a expressão de quem não dormiam fazia anos, e eu. Todos, repito, TODOS os cômodos do hospital tinham uma televisão, onde passava um filme trash de ação. Fiquei surpreso quando fui atendido e não havia a bendita da televisão. O médico anotava e me perguntava coisas, rápido, sem olhar para mim. Pegou seu instrumento mais emblemático, ouviu meus pulmões pedindo por um sopro de vida e voltou à mesa, e fez mais anotações. Mandou eu fazer inalação e tomar uma injeção. "Injeção pra quê?!", foi a minha reação. Mas, me senti o drogado mais drogado do mundo. A infermeria chegou, prendeu a borracha no meu braço, e começou a examinar o meio do meu braço enquanto eu abria e fechava a mão. Achou. A veia saltava timidamente. Ela passou alcool, cuidadosamente, e colocou uma agulha-tubo presa com fitas adesivas. Pegou as duas seringas contendo as drogas. Eram líquidos incolores. Eram seringas grossas, com quantidades julgadas por mim, grandes. A enfermeira ficou preocupada, porque não tinha certeza se a veia repulsava o sangue. E eu olhava o meu braço com um canal direto para a veia, esperando o líquido. Depois de uns últimos acertos, veio a seringa. E meus olhos olhavam para aquilo com o maior susto possível. Ela estava colocando a droga dentro de mim. E eu comecei a sentir o líquido no meu braço. Eu estava cansado, porque todos os músculos do meu corpo estávam contraídos. Bizarro. Fui injetado. Horas depois, após inalações e um filme brega sobre uma transexual que não tinha coragem de assumir-se para o filho, voltei para casa. Relembrando os momentos bizarros em que a enfermeira me dera um pico. Chegando em casa, engoli uma massa italiana cilíndrica cujo interior consistia de presunto e queijo, cujo nome eu não sei escrever.
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