segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pena que não sou de lá.


Sou paulistano.
Moro na terra da garoa, terra pagã.
Aqui encontran-se rodas de samba.
Mas as rodas de samba daqui não rebolam como as de lá.
Aqui não se tem medo de Deus, nem para roubar.
Aqui não tem praia, não tem nenhum redentor.
Não tem Cartola, Seu Jorge ou Jorge Ben Jor.
Cá pra cá aqui na minha terra, tudo corre, tudo berra.
Lá na terra rio do mês primo,
Nada encrenca, sem pressão, não tem grilo.
É lá onde nasce malandro, violeiro e enrolador.
É lá onde a mulata desce o quadril enlouquecedor.
Terra do sol matador na cabeça,
da água de côco, e da areia espessa.
Terra de Cazuza, com suas visões do Arpoador,
Onde o lobo grande grita com sua voz rouca no Circo Voador.
Onde houve um Chico que disse que o homem amara sua mulher como se lhe fosse a última.
E completou dizendo que amara seu filho como se fosse o último, o pródigo, o único.
É por lá que passam para ir de Sampa a Salvador.
Por acaso uma terra onde já imperaram,
onde já dançaram e cantaram
a música negra
a música misturada
dança negra
dança misturada.
Terra que faz questão de ser uma cidade
onde soltam fogos para todos de todas as idades
verem que nada é díficil no Rio de Janeiro
lá é tudo lindo, tudo gostoso e perfeito.
Terra com defeitos de todos os efeitos e sabores,
Terra com estátua de Drummond e canções de amores.
E eu aqui, nesse metrô, nesse ar sem praia, sem por onde escapar;
só lamento muito por não poder degustar. Pena que não sou de lá.

domingo, 22 de agosto de 2010

Domingo sobre o sábado.

Quanto vale um sorvete?
Menos do que uma água de côco abandonada
sem concorrência.
Menos do que poder achar uma forma de se provar o amor.
Menos do que poder experimentar simples coisas pela primeira vez.
Menos do que olhar luzes no infinito.

Qual o gosto do sorvete?
Melhor é o gosto de sentar num ônibus sem ter que sair dele tão cedo.
Muito melhor é saber o que deve ser feito e esperar por não ter coragem.
É ficar olhando sem graça, deixando tudo sem graça.
Mas rindo por ter a maior graça do mundo.

sábado, 21 de agosto de 2010

21 de Agosto de 2010.

Dia so called "estranho". Só espero que o dia da pessoinha que diz que tudo na vida dá errado tenha sido bom...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Texto para mim e meu fiel blog.


Desculpa aos dois ou três leitores assíduos que esta página tem. Mesmo. Mas hoje eu vou bater um lero com o meu fiel blog. Talvez eu esteja direcionando esse texto justamente porque eu tenha um pouco de vergonha com o que as pessoas possam achar de mim. Então, como eu não ligo muito pra isso, porém, tenho uma certa timidez, aqui vai. Hoje foi um dia cheio e tal. Cheguei tarde em casa por preguiça de fazer a viagem de cada dia. Muito frio mesmo de manhã. Depois foi esquentando. De vez em quando eu ainda lembro daquele cachorro de ontem. Aquele que eu vi na estação do metrô, deitado como uma esfinge e de patas cruzadas, observando o movimento. Estranho, mas aquela imagem ficou na minha cabeça! Acho que porque eu achei engraçado e talvez tenha tido uma pontadinha de desejo de ter uma vida como a dele. Mas acho que não teria tanta graça. Mas pera! Eu só digo isso porque eu tenho consciência das coisas. Aquele cachorro preguiçoso não tem consciência de nada! Qual é! Se nós, humanos, não tivéssemos consciência, talvez ficássemos à procura de comida, e reprodução. Então, eu acabo por concluir que eu gosto muito de ser um humano ocupado. Mas nossa, aquela cena do cachorro. Genial. Dia frio, céu azul bebê, sol no céu. Nuvens branquinhas. Acho que a imagem ficou na minha cabeça pelo fato do clima ser completamente contraditório. Eu gostei muito disso também. Não é algo que eu possa guardar numa palavra, ou imagem. Foi o conjunto. Dia aberto, céu azul, sol, e todos andando com frio, tentando esquentar suas mãos. Genial. A natureza é genial. Por promover dias assim, para poucos repararem e por dar a consciência aos humanos. Um dia desses eu ouvi meu pai, dizendo que o homem criou a cultura, os símbolos, a religião no momento em que ele tomou consciência da morte. Me faz lembrar a cena dos peixes do Monty Python. Acho que aquela cena eu pretendo imitar para todos que eu puder na minha vida.
Sabe o que veio na minha mente hoje? Uma imagem. Uma cena, um momento, seilá. Sabe? Quando um cara está com sua menina. Ele como uma raíz, susttenta ela. Eles estão, por falta de um meio termo melhor, namorando. Ela se levanta. Cruza os braços. Leva as mãos para perto da região dos rins. Pega a ponta da blusa. Começa a levantar as mãos segurando. A blusa vai ficando do avesso. O cara fica observando. Sem pressa. A blusa chega na cabeça. Ela tira totalmente, inclinando a cabeça um pouco para o lado. Tirando a blusa, ela mexe um pouco no cabelo. Fura ele com as mãos, levando para trás. A inclinada de novo. As mãos dela descem nele. Ela vai se inclinando para frente. Voltam ao beijo.
Fiquei com isso na cabeça também. Tá, agora podem me chamar de safado, seilá. Mas eu acho isso bonito. Acho sexo muito bonito. O amor é bonito. Eu acho o sexo a coisa mais humana. Assim como o amor. Sexo com amor é genial. É bonito de participar. É transcedental.
Sabe? Os dois abraçados, sentindo o corpo um do outro, sem roupas. Eu me lembro quando senti isso pela primeira vez. Foi...apaixonado. Por falta de uma palavra melhor de novo. Mas nossa, foi incrível. Seio contra seio. Barrigas tímidas encostadas. Braços se envolvendo, olhos nos olhos. Um menino descobrindo um par de peitos femininos. Não tocando, e nem nada. Só por saber que eles estão perto. Um menino descobrindo uma barriga feminina. Um pescoço feminino. O que é o corpo de uma mulher senão um grande abrigo para o homem? Um corpo. E um corpo apenas. A boca, onde se descobrem beijos infinitos. E depois o pescoço, onde se faz carinho. Existe pele mais perfeita do que de mulher? Pescoço sedoso. E o peito antes do peito. E logo, o coração. Palpitando de emoção de exitação. Pernas enroladas uma na outra. Pés fazendo carinho um no outro.
Enfim, eu não estou saudoso de uma pessoa em questão. Mas estou saudoso disso. Eu sei que eu posso viver isso tudo de novo. E eu vou.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Enfim. Dois.

Estávam os dois. Enfim sós. Enfim os dois. Em um lugar tão escondido e tão aberto. Tão bonito. Fora o dia em que ele dissera a ela que ele gostava do jeito que ela sorria, que ela era recatada, que ela ria. Dissera coisas que ela gostara de ouvir. E ela ficava mais e mais sem graça. Conversando à toa, sem o tempo ou o espaço ou ninguém para impedir. It was timeless. E entre a conversa, a menina dissera que era cética. O rapaz não podia deixar aquilo acontecer. Uma menina tão diferente que não acreditava? "Você tem que acreditar!", dizia ele. E ela talvez num charme misterioso ou simplesmente sendo honesta dizia não entender. Depois de muito tentar convencer, o rapaz não a venceu. Desapontado, ele se conformou e continuaram a conversar. Conversaram sobre as coisas. Tentaram fiamente descobrir o sentido da vida. Acabaram por concluir que de nada tem a vida. Discutiram sobre quando vão dormir e como tudo, aparentemente tudo vem à mente. Tentaram descobrir como é que fazia para chegar na terra-que-chega-sem-querer. Cantarolaram letras impactantes dos Beatles. Pararam no tempo, olharam para o mundo e perceberam que este girava. Fizeram cócegas um no outro, numa incessante guerra, até pararem no chão, um do lado do outro. Rindo como nunca. Depois de dançarem valsa ao som das árvores ao redor, eles se sentaram novamente e começaram a ouvir o mundo. O silêncio entre os dois dizia tudo. Então, como se algo premeditado tivesse em mente, os dois começaram a se olhar. Imediatamente o pobre coração do rapaz começou a querer pular do peito. Boca seca, pernas tremendo. A menina mostrava um sorriso quase nulo, no canto da boca. O rapaz começou a se aproximar. Ela transformou sua expressão. Estava séria. O garoto parou. "Sabe que eu não acredito no amor." "Bom, então eu tenho uma proposta", disse o rapaz numa ideia repentina. "Qual?" "Deixe-me te provar que o amor existe." "Como? Com um beijo apaixonado, eu suponho", disse a menina com ironia. "Não, uma prova mais concreta.", contrapôs o rapaz. "Deixe-me pegar um pedaço pequenino de amor, e aí eu volto para te mostrar. E aí, você vai ver diante de seus olhos. E também verá que o pedaço que eu conseguir pegar não será nada comparado ao amor, amor mesmo."

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Terra-onde-se-chega-sem-querer.


Numa terra distante e diferente, havia uma menina saltitante brincando e cantando baixinho. Não se sabe de onde ela veio, e nem o propósito dela. Não se sabia também nem onde e nem quando estava situada aquela terra diferente. A menina tinha olhos azuis, bem azuis, cabelos castanhos ondulados, seus dentes da frente eram levemente avantajados. Sua pele era morena, não tão morena e não tão branca. Um meio termo. Ela brincava feliz, e mesmo tendo consciência da falta de informações e conhecimento sobre tudo ao seu redor e tudo sobre sua história, ela não ficava aflita e nem assustada.
Estava ela brincando, quando se aproxima um homem velho, aparentemente muito cansado. A menina para de brincar e olha para o velho.
-O que acontece com o senhor?- perguntou a menina.
-Eu acabo de chegar da terra dos homens.- Diz num suspiro cansado. O homem conseguira escapar de uma batalha violenta, que fazia parte de uma grande guerra, que envolvia o planeta inteiro.
-Terra dos homens? Já ouvi falar muito dessa terra...como o senhor conseguiu chegar aqui?-indagou a menina.
-Cheguei aqui por acidente...acho que é aqui a terra onde se chega sem querer, não é?-disse o velho, - Como é a senhorita chegou aqui?-
-Eu não sei...mas acho que faz sentido isso o que o senhor falou...todos que já passaram por aqui chegaram de surpresa, sem querer...-Pensou alto a menina.
-Todos chegam e todos conseguem ir embora?- Pergunta o velho.
-Sim, acho que para ir embora tem que ser sem querer também...- Respondeu a menina.
-Há quanto tempo está aqui?- Perguntou o velho já começando a ficar assustado.
-Eu não sei nada sobre mim, sobre essa terra, sobre nada...eu só...brinco...-Disse a menina num tom melancólico.
-Não achas que um dia poderia ir embora daqui? Não há muito o que fazer por aqui, não é mesmo?-
-Eu tenho tudo o que uma menina precisa.- Disse a menina num tom pomposo.
-Está bem, não quis ofendê-la...é que, de onde eu venho, há muitas coisas para se fazer, se aprender, se viver!- Exclamou o velho.
-E muitas guerras para se fugir...-
O velho ficou sem resposta.
-Acho que o senhor não é uma boa pessoa.-Esclareceu a menina
-Porque acha?-
-Se o senhor veio parar aqui, e estava no meio da guerra, quer dizer que o senhor não queria sair da guerra, e veio parar aqui sem querer.-Ponderou a menina.
-Oh não! Não ache isso, por favor! Eu estava tentando salvar um amigo meu, por isso não queria sair de lá, ele estava morrendo...e aliás, com esse tempo que já passou...-O velho não terminou a frase pois estava tentando esconder lágrimas.
-Não acredito no senhor.- Insistiu a menina.- O senhor é um homem. Aprendi com todos esses anos que não se deve acreditar nos homens.- Completou.
-Todos esses anos?- Estranhou o velho.- É uma menina!-
-Sei que sou, mas pensa que o tempo passa por aqui?-Disse a menina com um ar de riso;- O tempo tem muita intenção de aparecer por aqui, mas é justamente esse o segredo de não chegar aqui...por isso não conseguem me encontrar eu acho...-
-Não há muito o que fazer nessa terra traiçoeira, não é?- Concluiu o velho.
-Não mesmo.- Concordou a menina.
-Então deixe-me brincar com você, e quando esquecer da vida, voltarei para minha terra.-Disse o velho se achando genial por isso.
-Você é quem sabe.- Concordou a menina indiferente.
E assim os dois ficaram brincando, por muitos e muitos anos. O tempo não conseguiu até hoje chegar nessa terra, e o velho, por ter escondido fortemente dentro de seu peito a vontade de voltar para a sua terra, não conseguiu voltar nunca mais. O tempo continuou parado. Se ele voltasse, iria chegar no exato instante que que desapareceu. Até que o tempo desistiu de esperar, e continuou. Seria até perigoso para o velho voltar. Então ele continuou com a menina, ora ou outra aparecendo um viajante surpreso e depois voltando. A menina não entendia como é que o velho não voltava. Mas ela também não entendia porque ela não voltava, então...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Faz-tempo-que-eu-não-posto-poema


Sinto falta de um sopro
de um sussurro, um assobiado
apaixonado, serenamente sorridente.

Sinto falta de um sorriso serelepe
de quem fez algo sem querer, sempre
pensando em se safar para a próxima sacanagem.

Sinto sutilmente que sua pessoa
não está assim tão secreta, sem se pronunciar.
Sei que segredos não podem se esconder assim: para sempre.

Saia da toca, sem vergonha!
Mas cuidado com sua saia, que pode ser traiçoeira.
Sem essa de ser e aparecer bonita, simplesmente saia!

Seria uma honra apreciar seu sorriso
sem medo de enxergar e sentir a radiosidade
de um sorriso atômico que em mim explodiria tão sorrateiramente.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Tudo foi contra o status quo.

Leve desespero. Não consigo respirar. Meus pulmões estão tendo um ataque. Peço em silencio para que me levem ao hospital. No carro, a minha respiração difícil e zumbida tomava conta do ar. Chegando lá, a burocracia brasileira explícita. Números, documentos, endereço, mostarda preferida, nome do papagaio do bisavô, tamanho do dedinho do pé esquerdo. Eu poderia estar com o meu cérebro para fora, mas nada poderia me colocar numa sala de emergência sem eu dizer nada sobre minha mostarda favorita. "OK! É HEINZ!" Tudo certo, coloque-no na maca. Depois de medirem minha pressão, taxa de oxigênio no sangue, batimentos cardíacos, fiquei em outra sala de espera. Era a sala de espera intermediária. Se você estava ali, significa que você passou pela burocracia brasileira, ganhou uma pulseirinha com algumas informações suas, já mediram sua pressão, taxa de oxigênio e batimentos por minuto. Eu passei por essa examinação superficial respirando com dificuldade. Então a mulher simplesmente fazia o que tinha que fazer, e eu continuava a respirar com dificuldade. Talvez essa frase não tenha feito muito sentido, mas, tente imaginar uma enfermeira medindo sua pressão e observando uma tela e anotando enquanto você respira com bastante dificuldade. Ah, agora sim pareceu estranho, né? Enfim. Voltemos à sala intermediária de espera. Você está lá, entre a etapa de ser examinado e ser atendido. Tinham poucas pessoas. Um homem dormindo com um jornal recostado sobre ele, duas mulheres com os olhos esbugalhados que tinham a expressão de quem não dormiam fazia anos, e eu. Todos, repito, TODOS os cômodos do hospital tinham uma televisão, onde passava um filme trash de ação. Fiquei surpreso quando fui atendido e não havia a bendita da televisão. O médico anotava e me perguntava coisas, rápido, sem olhar para mim. Pegou seu instrumento mais emblemático, ouviu meus pulmões pedindo por um sopro de vida e voltou à mesa, e fez mais anotações. Mandou eu fazer inalação e tomar uma injeção. "Injeção pra quê?!", foi a minha reação. Mas, me senti o drogado mais drogado do mundo. A infermeria chegou, prendeu a borracha no meu braço, e começou a examinar o meio do meu braço enquanto eu abria e fechava a mão. Achou. A veia saltava timidamente. Ela passou alcool, cuidadosamente, e colocou uma agulha-tubo presa com fitas adesivas. Pegou as duas seringas contendo as drogas. Eram líquidos incolores. Eram seringas grossas, com quantidades julgadas por mim, grandes. A enfermeira ficou preocupada, porque não tinha certeza se a veia repulsava o sangue. E eu olhava o meu braço com um canal direto para a veia, esperando o líquido. Depois de uns últimos acertos, veio a seringa. E meus olhos olhavam para aquilo com o maior susto possível. Ela estava colocando a droga dentro de mim. E eu comecei a sentir o líquido no meu braço. Eu estava cansado, porque todos os músculos do meu corpo estávam contraídos. Bizarro. Fui injetado. Horas depois, após inalações e um filme brega sobre uma transexual que não tinha coragem de assumir-se para o filho, voltei para casa. Relembrando os momentos bizarros em que a enfermeira me dera um pico. Chegando em casa, engoli uma massa italiana cilíndrica cujo interior consistia de presunto e queijo, cujo nome eu não sei escrever.

sábado, 7 de agosto de 2010

Enfim.

Os acordes começam, e suas disposições fazem do tom, menor. Então, como quem não quer nada, surgem as notas, soltas, ao contrário. Ecoadas, indo de um canto ao outro do cérebro. E essa melodia segue num fluxo contínuo e que parece não ter fim. Respiro com dificuldade. Fecho e abro os olhos e vejo que tudo está no mesmo lugar. Mas será? O que acontece no quase desprezível segundo que eu fecho os olhos? A todo instante isso acontece, para todos. O que dá para acontecer nesse instante? Dá pra se apaixonar? Dá pra ter uma grande epifania? Dá pra sentir uma dor? A agulha vai riscando...e as notas, com algumas leis, vão fazendo seu caminho...até o meu cérebro, este que carrega tantas dúvidas, desejos, preocupações e suplica por certeza. E agora, desabafando com meu fiel blog...meu caro, sinto que há uma semente entusiasmada querendo nascer. Não sei o que faço. Sei que vou continuar continuando o que deve ser continuado. Preciso estudar amanhã. Infelizmente eu vou ter que dar uma rebolada grande na vida, porque INFELIZMENTE, é dia dos pais. E isso significa compromisso com os familiares. Eu amo meu pai, amo o pai do meu pai, o pai da minha mãe. Mas isso não significa que o dia que determinaram ser "deles" eu tenho que ser submisso e (se eu não for às comemorações de família, sou) julgado como membro da família inconsequente que não liga pra ninguém. Odeio isso. Enfim, acho que seria uma boa eu dormir, pensar na minha singela semente. Tentar esquecer as cinzas. Renascer. Ligar-me a minha cabeça. Esse post não está bom, ele tem tom confessionário. Bom, eu sou de carne e osso, não posso ser artista o tempo todo. O artista já foi dormir, ele está deitado com as boas lembranças, chorando porque hoje são cinzas. Ele está feliz porque há uma semente muito bonitinha e pequenina querendo nascer. Agora eu pergunto a esse andarilho de memórias: "Mas antes de ficar todo contente, será que essa semente é recíproca?" ele me diz "As mulheres são confusas". Sabe, apesar de eu ter um ar cético para o meu eu artista preguiçoso e cigarrento, eu admiro muito a conclusão de que ele teve agora. As mulheres são confusas. São como cebolas infinitas. Camadas e mais camadas. Sem fim. A vantagem sobre o homem? Bom, ela se machuca superficialmente, não é? Agora, eu que tenho uma camada, que me exponho e me dou completamente, saio arrasado, com as minhas memórias chorosas...e a esperança. Mas eu tenho o meu eu cético, ranzinza, rabugento, que lhes escreve agora. Estou com sono e vou dormir. Se bem me conheço não vou sonhar hoje à noite. Resmungo algo contra o meu eu artista, mágico que bem provavelmente, não irá dormir, cantando para as estrelas, relembrando as cinzas e a semente. Que o passado que te carregue então! Boa noite.