
Vamos passear na floresta escondida, meu amor. Vamos passear na avenida. Vamos passear nas veredas do alto, meu amor. Há uma cordilheira sobre o asfalto. A estação primeira de mangueira passa em ruas largas. Passa por debaixo da Avenida Presidente Vargas. Presidente Vargas. Presidente Vargas! Presidente Vargas! Vamos passear nos Estados Unidos do Brasil. Vamos passear escondidos. Vamos desfilar pela rua onde Mangueira passou. Vamos por debaixo das ruas. Debaixo das bombas, das bandeiras, debaixo das botas. Debaixo das rosas, dos jardins, debaixo da lama. Debaixo da cama. Debaixo da cama. Debaixo da cama. Debaixo da cama. Debaixo da cama. Debaixo da cama.
Debaixo da cama. O que tem debaixo da cama? Certamente seria o lugar por onde passear escondido. Meu amor? Não mais. Talvez essas palavras cantadas de Caetano façam sentido para o vadio. Mas sozinho. O convite da música serviria apenas para o vadio e ele só. E meu só. A Avenida Presidente Vargas e cheia, movimentada, cheia de guerras e disparidades. Porém, quando o vadio a encara, ela está sozinha. Encara-a de madrugada. Às três da manhã, o vadio anda pela avenida mais importante. Presidente Vargas! E o que ele encara? O nada. O infinito, porque não? O silêncio da ausência. Grita. É estridente. É tão torturante que ele, vadio bêbado que tem ares inconscientes de equilibrista, faz barulho por onde passa. Qualquer barulho físico é melhor do que o silêncio que grita e rasga e corta. Cambaleia e cai em qualquer portão. Não importa, é só um vadio. Quem se importa com um bêbado vagabundo? E ainda mais um homem de roupas tão imundas! Chapéu côco gasto pelo tempo e sapato mal engraxado. Veja, o sapato não é sujo, é mal engraxado. O vadio não gosta de que engraxem o sapato dele, não gosta de ter que ficar em uma posição superior. "Não mando engraxar meus sapatos, engraxo eu mesmo." O vadio é visto como um torto. Como um invertido. O vadio não acredita mais no afeto das mulheres. Foi então que se rendeu à simplicidade. Acredita fielmente no amor, mas não como algo tangível à ele. As esperanças ficam guardadas junto com a utopia. A felicidade, ele sempre toma uma hora aqui outro gole acolá. Sempre anda com a garrafa pequena de felicidade. Mas é para ser tomada na hora de afogar as mágoas. E é por isso que fica bêbado, vadio. Um dia vai correr atrás dos seus sonhos, vai parar de se iludir com felicidade, e vai sair correndo feito besta para tornar seus sonhos matéria visível e tocável. E as mulheres, ele ainda não conseguiu achar sentimento. Só a carne, a matéria, o interesse, a confusão. Elas dizem que gostam, mas depois tudo muda. Não há compreensão. Pobre vadio. Queria encontrar uma mulher com sentimentos, mas só achou a matéria. Queria a companhia debaixo da cama, para passear, se esconder. Queria a companhia para caminhar na Avenida Presidente Vargas. Mas a mulher que ele amou não existe mais. E depois de muitas outras, viu que o amor é um só mesmo. Ele amou a primeira. Ou foi a segunda? Ou foi a terceira? Enfim. Ele amou uma. Vieram outras, mas ele não achou sentimento. Concluiu que só houve uma mulher em sua vida. E por mais que ele ainda gostasse dela, não havia mais jeito. Porque a única mulher que ele amou, não existe mais. É viva, mas não existe mais. E a saudade aperta. E a mulher que ele amou, é aquela que ele conheceu. E ela permanece em forma de ideia, de memória. E apenas isso. Só que não dá para amar o sentimento, assim como não dá para amar a carne. Só se ama a carne e o sentimentos, juntos. Unidos por músculos, ossos, órgãos e alma. E o vadio caiu no chão. E agora seu inconsciente trabalhava por si só, deixando o vadio um pouco livre e descansado do trabalho mental. O inconsciente alimentava a mulher que ele ama. O inconsciente alimenta o vadio que é feliz sem ter que beber da felicidade.
Debaixo da cama. O que tem debaixo da cama? Certamente seria o lugar por onde passear escondido. Meu amor? Não mais. Talvez essas palavras cantadas de Caetano façam sentido para o vadio. Mas sozinho. O convite da música serviria apenas para o vadio e ele só. E meu só. A Avenida Presidente Vargas e cheia, movimentada, cheia de guerras e disparidades. Porém, quando o vadio a encara, ela está sozinha. Encara-a de madrugada. Às três da manhã, o vadio anda pela avenida mais importante. Presidente Vargas! E o que ele encara? O nada. O infinito, porque não? O silêncio da ausência. Grita. É estridente. É tão torturante que ele, vadio bêbado que tem ares inconscientes de equilibrista, faz barulho por onde passa. Qualquer barulho físico é melhor do que o silêncio que grita e rasga e corta. Cambaleia e cai em qualquer portão. Não importa, é só um vadio. Quem se importa com um bêbado vagabundo? E ainda mais um homem de roupas tão imundas! Chapéu côco gasto pelo tempo e sapato mal engraxado. Veja, o sapato não é sujo, é mal engraxado. O vadio não gosta de que engraxem o sapato dele, não gosta de ter que ficar em uma posição superior. "Não mando engraxar meus sapatos, engraxo eu mesmo." O vadio é visto como um torto. Como um invertido. O vadio não acredita mais no afeto das mulheres. Foi então que se rendeu à simplicidade. Acredita fielmente no amor, mas não como algo tangível à ele. As esperanças ficam guardadas junto com a utopia. A felicidade, ele sempre toma uma hora aqui outro gole acolá. Sempre anda com a garrafa pequena de felicidade. Mas é para ser tomada na hora de afogar as mágoas. E é por isso que fica bêbado, vadio. Um dia vai correr atrás dos seus sonhos, vai parar de se iludir com felicidade, e vai sair correndo feito besta para tornar seus sonhos matéria visível e tocável. E as mulheres, ele ainda não conseguiu achar sentimento. Só a carne, a matéria, o interesse, a confusão. Elas dizem que gostam, mas depois tudo muda. Não há compreensão. Pobre vadio. Queria encontrar uma mulher com sentimentos, mas só achou a matéria. Queria a companhia debaixo da cama, para passear, se esconder. Queria a companhia para caminhar na Avenida Presidente Vargas. Mas a mulher que ele amou não existe mais. E depois de muitas outras, viu que o amor é um só mesmo. Ele amou a primeira. Ou foi a segunda? Ou foi a terceira? Enfim. Ele amou uma. Vieram outras, mas ele não achou sentimento. Concluiu que só houve uma mulher em sua vida. E por mais que ele ainda gostasse dela, não havia mais jeito. Porque a única mulher que ele amou, não existe mais. É viva, mas não existe mais. E a saudade aperta. E a mulher que ele amou, é aquela que ele conheceu. E ela permanece em forma de ideia, de memória. E apenas isso. Só que não dá para amar o sentimento, assim como não dá para amar a carne. Só se ama a carne e o sentimentos, juntos. Unidos por músculos, ossos, órgãos e alma. E o vadio caiu no chão. E agora seu inconsciente trabalhava por si só, deixando o vadio um pouco livre e descansado do trabalho mental. O inconsciente alimentava a mulher que ele ama. O inconsciente alimenta o vadio que é feliz sem ter que beber da felicidade.
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