sexta-feira, 2 de julho de 2010

Amanhecendo.

Faltavam poucos minutos para a manhã explodir efetivamente. Ele estava desesperado tentando convencê-la para que continuássem juntos. Ela não ouvia, desesperada, só queria que ele fosse embora logo antes que alguém os visse e descobrisse que o rapaz pernoitara na casa dela. Ele estava à beira dos prantos, o sussurro desesperado. Segurando as mãos dela, como se segurasse sua própria alma. Mas como fumaça, elas começaram a ficar longe do alcance dele. E o sol, a manhã, estávam contra ele. Não há nada mais rápido e perceptível do que o desabrochar da manhã. A cada minuto tentando convencê-la, mais luz ia invadindo o céu, e devagar ia invadindo o chão e as coisas.
Ela pediu aos prantos também, para que fosse embora. Ele não compreendia. Era a úlima oportunidade para fugirem juntos e escaparem de tudo que era contra a união deles. Será que ele fizera alguma coisa que mudou a decisão dela? Discutiram tanto durante a noite toda! Até perceberem que estava amanhecendo e que tudo precisava voltar e permanecer ao status quo. Ele a queria como esposa, como mãe dos filhos dele. Mas agora, com esse pé atrás, nas escuridão da noite, colocava dúvida no peito do homem. Por consequência, medo. Por consequência, desespero.
As flores já estávam iluminadas. A mãe da moça, em seu quarto já começava a lentamente voltar do estado inconsciente. O rapaz com seus olhos inundados, olhou para ela, num último suspiro mudo. Ela disse não. E pesou como navio em suas costas. E pesou como uma lâmina em seu peito. O rapaz então, soltou a mão dela. Levantou rápido, colocou suas coisas nas costas, e voltou-se de costas. Deu alguns passos, seus pés levantavam lentamente e pisavam forte, com resistência. Eram agora dois grandes animais pesados e preguiçosos, empacados. O ar passava difícil pelo seu nariz. Era denso.
A moça estava com as mãos juntas, desesperada por um lado, e com medo por outro. Suas pernas não podiam se mover. Duas grandes forças se pressionavam contra ela. Eram iguais e opostas, portanto, a moça só podia ficar parada. Com as mãos juntas, e as lágrimas descendo pelo seu rosto. Cada parte de lágrima eram pedaços de sua alma, de sua aura. A cor dela ia embora. O desespero tomou conta dela. Queria gritar, mas a garganta estava bloqueada. Queria mexer as mãos, mas o sangue não passava mais. Quando o rapaz já tinha ido embora há muito, a moça continuava lá. Intacta. todos os bloqueios físicos e sentimentais, congelavam-na. Por fim, Quis respirar, e não pôde. Caiu no chão, e nem a famíla e nem o rapaz, tiveram a preocupação de refletir sobre a causa mortis.

2 comentários:

  1. Encantou-me, também, com esse texto e, em especial, com o trecho: "E pesou como navio em suas costas. E pesou como uma lâmina em seu peito."

    Se não se incomodar, conquistou uma leitora.

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  2. O mais legal dos seus comentários é que você mostra o que gostou.

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