sexta-feira, 9 de julho de 2010

Extensões aleatórias e atemporais de minha mente humana.

Voltando para casa. A avenida está escura, e está tudo vazio. Ouço somente meus passos. De repente, ouço um caminhão se aproximando. Os lixeiros descem dele, pegam uma quantidade de lixo desumana (porém completamente humana, pois nada somos do que grandes produtores constantes de lixo) em pouquíssimo tempo. A parada acontece no próximo poste. E assim vão andando na avenida, eu, e o caminhão de lixo. A cada dez metros acontece uma parada do caminhão. Os lixeiros descem, pegam sacos e mais sacos, pesadíssimos. O caminhão vai andando lentamente. E eu acompanhando-o. A cada poste, uma quantidade grandiosa a ser colocada no caminhão. Em uma parada, um grande saco rasgou, esparramando lixo na rua. Não havia tempo de parar para catar o lixo na rua. Deixaram assim e foram-se embora. Continuei no meu passo intrigado pela diferença imposta pelos homens. O que me diferencia do lixeiro? Do mendigo? Do homem rico em seu carro com motorista? Do próprio motorista?

Chego em casa, silêncio. Ponho lentamente minhas coisas na mesa. Sento em minha mesa. Penso. E de novo a sensação de melancolia que ficar em minha casa causa, ataca novamente. O azul do momento vai se derramando pelo ar, nas paredes. Vai derramando como sangue. Como um líquido denso. Tento me distrair, com música. Coloco algumas guitarras estrindentes para ocupar meus ouvidos. Assim não ouço a voz das lembranças. Ocupo meus olhos com imagens qualquer, assim eles não enxergam os lugares e suas respectivas memórias. Meu nariz irritante é entupido, então não faz diferença tentar ocupá-lo com qualquer coisa. Minhas mãos ficam onde estão. Entorpecido, mergulho no saudosismo.


Relembro da saudade que sinto de olhar para olhos, com ares de apaixonado. Timeless. Definindo a vida como uma onda. O pico alto dela, é quando você acha que está amando. O pico baixo é quado você não crê no amor. Mas nenhuma certeza é sabida. Tudo o que se vê é a chuva. Mas o primeiro passo é completamente cego. Versos me vêm a cabeça, chegam no papel, mas de lá nada sai.


Pele suave

da flor da idade

que saudade...


Abuso da palavra que só minha língua mãe mestiça pode falar. Saudade. Sinto saudade porque sem a minha vontade, caí do pico que crê no amor. E ainda estou caindo, mas mesmo assim, sei que devo continuar no meu passo errante com a chuva impedindo minha visão.


Será Freud batendo a porta? Será a morte? Ou será só as imagens bonitas se opondo à uma visão freudiana das coisas, de tudo? Ou será a visão Freudiana uma visão do pico descrente do amor?


Saudade, saudade

de sentir um corpo por perto

com intimidade...

Saudade de ver um sorriso feminino;simples


...me dizendo tudo ao contrário de Freud. Saudade de observar olhos sorridentes e enxergar uma alma serena. E a saudade só existe porque estou caindo. Cheguei já no pico descrente do amor. Mas um otimismo completamente desconhecido, me fez subir para uma crença maior e saudosismo.


O que nos torna humanos? Qual o sentido da vida? Acho que o que nos torna animais diferentes é justamente olhar as coisas, as pequenas coisas com um olhar não-Freudiano, não-prático, não- cartesiano. Eu sou humano porque faço, existo e continuo. Questiono a razão de tudo, mas mesmo sem achar resposta, continuo fazendo, existindo. Continuo a continuar.






sexta-feira, 2 de julho de 2010

Amanhecendo.

Faltavam poucos minutos para a manhã explodir efetivamente. Ele estava desesperado tentando convencê-la para que continuássem juntos. Ela não ouvia, desesperada, só queria que ele fosse embora logo antes que alguém os visse e descobrisse que o rapaz pernoitara na casa dela. Ele estava à beira dos prantos, o sussurro desesperado. Segurando as mãos dela, como se segurasse sua própria alma. Mas como fumaça, elas começaram a ficar longe do alcance dele. E o sol, a manhã, estávam contra ele. Não há nada mais rápido e perceptível do que o desabrochar da manhã. A cada minuto tentando convencê-la, mais luz ia invadindo o céu, e devagar ia invadindo o chão e as coisas.
Ela pediu aos prantos também, para que fosse embora. Ele não compreendia. Era a úlima oportunidade para fugirem juntos e escaparem de tudo que era contra a união deles. Será que ele fizera alguma coisa que mudou a decisão dela? Discutiram tanto durante a noite toda! Até perceberem que estava amanhecendo e que tudo precisava voltar e permanecer ao status quo. Ele a queria como esposa, como mãe dos filhos dele. Mas agora, com esse pé atrás, nas escuridão da noite, colocava dúvida no peito do homem. Por consequência, medo. Por consequência, desespero.
As flores já estávam iluminadas. A mãe da moça, em seu quarto já começava a lentamente voltar do estado inconsciente. O rapaz com seus olhos inundados, olhou para ela, num último suspiro mudo. Ela disse não. E pesou como navio em suas costas. E pesou como uma lâmina em seu peito. O rapaz então, soltou a mão dela. Levantou rápido, colocou suas coisas nas costas, e voltou-se de costas. Deu alguns passos, seus pés levantavam lentamente e pisavam forte, com resistência. Eram agora dois grandes animais pesados e preguiçosos, empacados. O ar passava difícil pelo seu nariz. Era denso.
A moça estava com as mãos juntas, desesperada por um lado, e com medo por outro. Suas pernas não podiam se mover. Duas grandes forças se pressionavam contra ela. Eram iguais e opostas, portanto, a moça só podia ficar parada. Com as mãos juntas, e as lágrimas descendo pelo seu rosto. Cada parte de lágrima eram pedaços de sua alma, de sua aura. A cor dela ia embora. O desespero tomou conta dela. Queria gritar, mas a garganta estava bloqueada. Queria mexer as mãos, mas o sangue não passava mais. Quando o rapaz já tinha ido embora há muito, a moça continuava lá. Intacta. todos os bloqueios físicos e sentimentais, congelavam-na. Por fim, Quis respirar, e não pôde. Caiu no chão, e nem a famíla e nem o rapaz, tiveram a preocupação de refletir sobre a causa mortis.