Apaga a luz, desliga tudo. Vai chegando perto da sua cama através da memória, tateando de leve. Encontra com a ponta de seus dedos o edredon, frio. Deita na cama se cobrindo. Vira para o lado e mantém os olhos abertos olhando para no nada no escuro. Começa a lembrar de como se esquentava antes. A nostalgia começa a permear o ar que passa devagar no nariz. Para distração, pensa no dia. Pensa em alguma besteira. Alguma conversa, alguma fala, alguma foto, qualquer coisa. E dorme. O sonho que é lembrado assim que acorda, é o que estava acontecendo alguns momentos antes do despertar. Infelizmente ele se refere à nostalgia sentida no momento em que deitou. Senta na cama. O quarto semi-escuro se mostra do mesmo jeito que estava antes de dormir. O silêncio domina. Os pensamentos giram dentro do quarto, sussurrando. A lembrança está quente, assim como o edredon antes frio. O sonho fora completamente utópico. Ele remetia à esperança. Onde tudo fica bem. Fora uma cena bonita, com lágrimas chorosas e mãos dadas, cabeças enconstadas diagonalmente. Um pedido de desculpas mútuo. Um sol bonito no céu bonito. De repente, desperta. "Claro que foi um sonho" se diz aquele que esava ficando tranquilo com o sonho. Levanta e ignora as lembranças que os cômodos de sua casa dizem. E os cômodos sempre insistem nesse assunto. O que deveria ser um refúgio, um lugar aconchegador, acaba se tornando o lugar que levanta mais e mais as lembranças que você teme lembrar. Mas a contra-esperança é forte, e a força do esquecimento é cada vez maior tambem. Tudo está bem. O que não está é a ferida que ainda não sumiu. Mas já levantou do tombo e já esta caminhando, olhando para o mundo. Chegando em sua casa e olhando-a com outros olhos. E os olhos sorriem para outros, outras e para o mundo.
sábado, 5 de junho de 2010
Sonhar.
Apaga a luz, desliga tudo. Vai chegando perto da sua cama através da memória, tateando de leve. Encontra com a ponta de seus dedos o edredon, frio. Deita na cama se cobrindo. Vira para o lado e mantém os olhos abertos olhando para no nada no escuro. Começa a lembrar de como se esquentava antes. A nostalgia começa a permear o ar que passa devagar no nariz. Para distração, pensa no dia. Pensa em alguma besteira. Alguma conversa, alguma fala, alguma foto, qualquer coisa. E dorme. O sonho que é lembrado assim que acorda, é o que estava acontecendo alguns momentos antes do despertar. Infelizmente ele se refere à nostalgia sentida no momento em que deitou. Senta na cama. O quarto semi-escuro se mostra do mesmo jeito que estava antes de dormir. O silêncio domina. Os pensamentos giram dentro do quarto, sussurrando. A lembrança está quente, assim como o edredon antes frio. O sonho fora completamente utópico. Ele remetia à esperança. Onde tudo fica bem. Fora uma cena bonita, com lágrimas chorosas e mãos dadas, cabeças enconstadas diagonalmente. Um pedido de desculpas mútuo. Um sol bonito no céu bonito. De repente, desperta. "Claro que foi um sonho" se diz aquele que esava ficando tranquilo com o sonho. Levanta e ignora as lembranças que os cômodos de sua casa dizem. E os cômodos sempre insistem nesse assunto. O que deveria ser um refúgio, um lugar aconchegador, acaba se tornando o lugar que levanta mais e mais as lembranças que você teme lembrar. Mas a contra-esperança é forte, e a força do esquecimento é cada vez maior tambem. Tudo está bem. O que não está é a ferida que ainda não sumiu. Mas já levantou do tombo e já esta caminhando, olhando para o mundo. Chegando em sua casa e olhando-a com outros olhos. E os olhos sorriem para outros, outras e para o mundo.
Ceticismo

Com a dor, vem a dor. Com a ferida vem a tristeza. Com o refletir vem a raiva. Com a calma, vem a lembrança. Com o desejo de fuga, vem o ceticismo. Com o ceticismo, vem o conformismo. Com o confromismo, vem a rotina. Com a rotina, vem a loucura. Com a loucura, vem o desejo de fuga novamente. Com esse novo desejo de fuga, vem a possibilidade. Com a possibilidade, vem a novidade. Com a novidade, vem o esquecimento. Com o esquecimento, volta a lembrança. Com a lembrança de volta depois do esquecimento, vem a nostalgia. Com a nostalgia, vem a serenidade. Com a serenidade, vem a tristeza de novo. Com a tristeza vem a raiva, o refletir, o desejo de fuga, o ceticismo. Com tudo, vem tudo. Só não pense que o azul representado é o retrato real e inteiro do ser. Este retrato, mostra só uma face pequeno de tudo. E eu vou escrevendo com o desejo de não mostrar nunca o tudo.
Soneto do cético
O amor é conceito inexistente Tende a criar, mas no fim só destrói Nada explica o porquê do sorridente, Só se dá e recebe; e no fim corrói.
Tudo tem seu fim, inexperiente, Um dia você verá como dói, A solidão será a confidente, E esta nunca olha, consente ou condói
Porém, não tema, pobre e só amante, Um dia verás que teu forte herói Nada mais é que um entorpecente
Que desiste, some e ninguém constrói Não quero me iludir, nem me tente, Descrente estou, como acontecer sói.